LÍGIA
MARIA SALGADO NÓBREGA
foi militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e é
uma das vítimas da Chacina do Quintino. Nascida em Natal, no Rio Grande do
Norte, no dia 30 de julho de 1947, sendo
filha do casal GORGÔNIO NÓBREGA e NALY RUTH SALGADO NÓBREGA, foi para São Paulo ainda pequena.
Em 1967 foi estudar Pedagogia na Universidade de São Paulo,
onde se destacou por sua capacidade intelectual, pela liderança e empenho em
abrir horizontes, modernizar métodos de ensino, trabalhar no Grêmio da
Pedagogia, mobilizando as pessoas para sua responsabilidade social em que
direitos humanos fossem respeitados. Foram estes mesmos direitos que foram
negados pela ditadura militar instalada no Brasil da época.
Em 1970, Ligia ingressou na Vanguarda Armada Revolucionária –
Palmares para enfrentar a violência do regime autoritário instaurado no país.
Os órgãos de segurança a indicavam como participante da execução de um
marinheiro inglês, David Cuthberg, em 5 de fevereiro de 1972, numa ação que
pretendia simbolizar a solidariedade dos revolucionários brasileiros com a luta
do povo irlandês e com o Exército Republicano Irlandês (IRA).
Em 1972, os órgãos repressivos realizaram um cerco na casa
72, na avenida Suburbana, nº 8695, no bairro de Quintino, Zona Norte do Rio de
Janeiro. A repressão teria a informação de que ali se escondia um dos
principais chefes da VAR-Palmares, James Allen da Luz, companheiro de Lígia, de
quem estava grávida de dois meses.
Segundo a versão oficial do Departamento de Ordem Política e
Social (DOPS), os agentes de segurança foram recebidos à bala ao entrar no
aparelho e, em legítima defesa, revidaram. Investigações recentes da Comissão
Estadual da Verdade do Rio reforçam outra versão para as mortes de Lígia e de
outros dois militantes que estavam na casa, Antônio Marcos Pinto de Oliveira e
Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo.
O laudo cadavérico dos militantes não atestou a presença de
pólvora em suas mãos, o que refuta a tese de confronto. A isso se somam
documentos e depoimentos de vizinhos que afirmam que os militantes não ofereceram
resistência. O legista que realizou as necropsias, afirmou à comissão que seus
laudos foram alterados e que os corpos tinham sinais não só de execução, mas de
tortura, como hematomas e coronhadas
A família de Lígia foi avisada no dia 03 de abril de 1972, de
que ela estava presa com vida, com um tiro na perna, no DOI-CODI/RJ e foi morta
no dia 05 de março de 1972 de acordo com um informante que avisou sua família
antes de ser divulgada na televisão. A família de Ligia Maria Salgado Nóbrega,
que mora em São Paulo, foi visitada por um agente policial pouco antes de
anunciada sua morte pela televisão querendo ele saber, de maneira hipócrita,
notícias dela. No entanto, a família só tomou conhecimento de sua morte,
abruptamente, pela notícia da televisão.
FONTE - ACERVO - MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS